Meu mundo expresso de várias formas... (my routes, my rules)

sábado, dezembro 08, 2007

Silêncio na Sala!


[E-mail da chefe para seus funcionários]

Pessoal, já cansei de pedir: Silêncio!

Para quem ainda não viu, tem um cartaz na parede escrito SILÊNCIO. Às vezes ligo do cliente (X e Y) e ouço as vozes do pessoal. Imaginem o cliente...

Por favor:

- Não gritem de uma baia por cima da outra para falar com alguém, levantem-se da cadeira e se desloquem até o colega;
- Não se emocionem tanto. Podemos conter as emoções de voz baixa...
- Não se emocionem falando no celular ou no telefone (com os colegas de trabalho que estão no Cliente). Contenham-se!
- Não dêem rizadas (gargalhadas) altas. Não estamos num circo.
- Não bocejem alto. Vocês não estão em casa!
- Não imitem ovelhas. Vocês não estão num zoológico.
- Troquem os sons ou toques dos celulares. Coloquem em "VIBRACALL ou PAGER". O celular do Projeto X, apenas coloquem no volume BAIXO.
- Quando tiverem tratando um assunto "profissional" com o colega falem baixo, de preferência na orelha do colega. Se for assuntos aleatórios, então não precisa nem comentar...
- Para quem gosta de ouvir música escutem, mas baixinho.

Obs.: Para quem não se deu conta ainda, o barulho, o tumulto atrapalha quem está atendendo.


Já comentei uma vez, que gosto de trabalhar com pessoas felizes, de bem com a Vida! Mas também não exagerem...


Qualquer dúvida, estou à disposição,

[Assinatura da Chefe]



***


Lembro que a minha primeira reação depois de ler esse e-mail, foi perguntar a minha chefe:
- Imitar ovelhas??

- Sim!! - disse ela, com o seu jeito irritado-cômico, apontando para o pessoal que trabalhava no Projeto Y (este nome é fictício, lógico), que ficavam situados no lado oposto do nosso projeto na sala. Às vezes, aqueles ali pensam que estão numa fazenda, ou num zoológico! – completou ela.

Essa foi a chefe mais humana e íntegra que tive. Além de bem-humorada, como se pode constatar. Ela pertence àquele seleto grupo de pessoas que fazem à diferença por onde passam. Lembro do dia em que ela enviou esse e-mail como se fosse ontem! Seu “puxão-de-orelha” funcionou. Realmente, o povo andava muito empolgado naquela época. Éramos reféns daquele mundo onde o humor (muitas vezes sarcástico) impregnava a atmosfera daquele recinto, acoplado as moléculas de CO2 que liberávamos. Estávamos intoxicados!

Depois de rirmos bastante desse e-mail (mas com todo o respeito, afinal, nossa querida chefe estava coberta de razão), além de passar a chamar os colegas do Projeto Y de ovelhas, começamos a nos fiscalizar. Nem parecia mais aquela muvuca anteriormente citada. Pena que não durou muito tempo! Aquilo era mais forte do que nós.

"Diga-me com quem trabalhas,

que te direi quem és"....


Uma vez, minha chefe entrou na sala toda se rindo, e disse:
- Acabei de dar 'uma de Mariana' na cozinha! – e dava risada. Então, fui obrigada a perguntar, imaginando que a resposta seria uma bomba! Uma bomba engraçada, certamente.

- Por quê: 'uma de Mariana'?
- Cheguei lá e derrubei tudo!

De fato, ela não estava exagerando ao substituir a palavra “desastrada” por “Mariana”. Já que ela poderia muito bem ter dito: “Acabei de dar uma de desastrada na cozinha”. Ao contrário de mim, ela não costumava sofrer ‘acidentes’ com os objetos inanimados, pelos cantos da empresa. Ainda bem que não existe “Dano Culposo” no código penal brasileiro, senão eu tava frita!

Perdi a conta de quantas vezes, minha chefe querida (e vocês logo concordarão, se já não concordaram, de que ela realmente é querida), vinha correndo, com um bolo de papel-toalha na mão, enquanto eu estava sob o cárcere do microfone, atendendo um cliente, e minha mesa cheia de café que eu acabara de derrubar, mais uma vez! Isso se repetiu muitas vezes, e todas foram acidentais (acreditem). Teve uma vez que tive de virar o teclado do computador de cabeça para baixo. Adivinhem por quê?
- Por causa do café derramado, lógico! A culpa era do café! (ahãm)


Até que comecei a colocar o copo de café junto à prateleira que apoiava o monitor - assim poderia garantir a sua integridade-física. Isso foi eficiente para liquidar com aqueles acidentes. Minha chefe agradeceu a minha iniciativa. Ia tudo muito bem, muito obrigada, até um certo dia: o Dia D (dia do Desastre). Foi inevitável, eu juro! Talvez tenha sido uma conspiração dos astros, que não agüentavam mais me ver sem derrubar NADA. Enfim...

[música tema de “Kill Bill II”, no momento em que a Una Turner consegue sair de dentro do caixão, que estava enterrado – se você ainda não assistiu a esse filme, sorry!]

Eu tava dando treinamento para um novo funcionário, quando o inevitável ocorreu. Meu aluno tinha ido ao banheiro (logo, tinha álibi), quando a colega que se sentava a minha esquerda, pediu uma pasta que estava sob meu poder: em cima da minha mesa (bem em frente da cadeira utilizada pelo meu pupilo). Fui pegar a pasta, enquanto o cliente que eu atendia ao telefone reiniciava seu ruíndows. Peguei a tal pasta, e no que me viro para entregar a minha colega, uma das "pontas" da pasta bate em um copo de café (que até então estava oculto do meu campo de visão)...
Não é que o café vira e molha toda a minha mesa... (pausa dramática!)

Olhei para a prateleira do monitor, e vi que o meu café continuava ali, são e salvo. Logo, aquele café, que se fez notar de uma forma nada agradável, pertencia ao calouro – que naquele momento estava no toalete, o que me impediria de culpá-lo. Então... aquela cena, que fazia tempo que não acontecia, se repetiu: minha chefe veio correndo me ajudar, com um bolo de papel-toalha na mão. Enquanto tentava recuperar a ordem naquele caos que se instaurou na minha mesa, pendurei meus fones-Madonna na divisória da mesa. E...

Só pode ter sido uma conspiração daquele infeliz do Murphy... só pode!!

Um segundo depois que deixo meus fones pendurados, eles caem, com a velocidade e peso de uma bola de guindaste, e batem sabem onde?

No botão “RESET” da CPU, reiniciando o meu computador. Perdi TU-DO o que estava trabalhando desde de manhã cedo. Tive de inventar uma desculpa para o meu cliente e dizer que ligaria de novo “daqui a pouco”. Ainda bem que eu tinha uma chefe compreensiva, e bem-humorada para me ajudar. Meus colegas também eram muito queridos e engraçados! (violinos)

Por isso tudo, guardei esse e-mail de recordação. Para um dia poder compartilhar com outras pessoas, como vocês!
Divertidos tempos aqueles!! (olhar distante)

Díficil mesmo, era conseguir manter o tal Silêncio na Sala!

2 comentários:

Proud Mary disse...

O Proud World recebeu três premiações, indicadas pelo "Elemento Fogo", http://oelementofogo.blogspot.com/ - blog da minha amiga Larissa.

Em breve, pulicarei as minhas indicações!

Beijos!!

Valeu pelas indicações, Lari! Fiquei honrada! ;-)

Larissa Bohnenberger disse...

Quando eu li a frase "Não imitem ovelhas", pensei: "Mas que diabo essas criaturas fazem enquanto estão trabalhando???

Mas, Mari, imagiiiiiinaaaaa! Tu? Mariana Lied? DESASTRADA??? Nem pensar... é pura obra do acaso que acidentes aconteçam por perto de ti...

Logo que eu e mamãe começãmos a confeccionar as nossas caixinhas, ela disse para mim que queria fazer uma pra ti. Aí eu questionei ela sobre que figura usaríamos para uma caixinha que fosse presenteada a tua pessoa... ela nem hesitou: "Ou um copo de cerveja virado, ou uma lamparina quebrada."

Acho que não preciso dizer mais nada, né???

Hehehehe!
Bjs, miga!