Meu mundo expresso de várias formas... (my routes, my rules)

domingo, junho 03, 2007

A Origem de Tudo

Será que a loucura-nossa-de-cada-dia começa a manifestar seus primeiros indícios durante a nossa infância - e desta forma, evoluiria gradativamente, até assumir o seu estado patológico na fase adulta?
Ou ela utiliza-se do Princípio Big-Bang (e tudo começou com uma grande explosão)?
Se os humanos têm curiosidade quanto à origem do universo, da Terra, da nossa espécie, etc, etc – nada mais natural que se questione a origem da loucura, pura e líquida, tão característica dos homo-sapiens. (Sim! Eu não bato muito bem... quem me conhece sabe. Talvez seja por isso que a loucura seja tema de muitos posts)

A pergunta que não quer calar!
Embora eu considere a normalidade coisa de gente psicótica, e a loucura, coisa de gente normal, creio que não exista nenhuma explicação satisfatória quando à sua origem.
A origem de Tudo...
Neste caso, “tudo” representa as loucuras, os surtos criativos, devaneios, ou qualquer outra coisa que se considere anormal...

Escrevo-lhes, através deste post, alguns causos infantis baseados em histórias reais e relatos de testemunhas anônimas. Leiam e tirem as suas conclusões.
Quem quiser, deixe um comentário com a sua opinião a respeito da origem da loucura humana. Todos os comentários serão bem-vindos!

Ps: A essa altura vocês já devem ter percebido que os fatos reais praticamente comandam este blog – assim como as testemunhas anônimas, que possuem importância vital às tramas descritas.
Aproveitando a deixa do post anterior: Um brinde as testemunhas anônimas! (seus nomes estão protegidos a sete-chaves e jamais serão utilizados como objeto de chantagem, não se preocupem! eheh)

***


Contos da casa da Vovozinha
Pelo menos uma vez por semana, a pequena-menina e sua irmã visitavam seus avós paternos. Diz à lenda que muitas histórias além da imaginação e alguns fenômenos paranormais se originaram dessas visitas – nada cientificamente comprovado.


A Pequenina e o Levador
Era mais um lindo dia de sol, proporcionado pela recém chegada primavera. A avó e o avô, por algum motivo desconhecido, resolveram levar a dupla de pequenas meninas-curiosas para passear em algum lugar - também desconhecido pelas menininhas (talvez elas não se lembrem mais). Supõe-se que os ares daquele dia primaverístico, ao som do canto dos pássaros, tenham servido de estímulo ao casal de avós amorosos. Já estavam todos no corredor do edifício, prontos para sair, esperando a avó (que provavelmente fora retocar o laquê ou pegar sua bolsa de pingentes dourados), quando o incidente do elevador ocorreu.

A irmã estava ao lado do avô, segurando a porta do apartamento até o momento em que a avó resolvesse sair. Enquanto isso, a pequena-menina brincava de pular-sapata nas lajes do chão. Sua brincadeira fora interrompida quando seu avô resolveu lhe pedir um pequeno favor:
-
Queridinha do vovô, enquanto a tua vó não vem, chama o elevador?
- Claro vô!


A pequenina imediatamente corre em direção ao elevador, pára na frente da porta, na ponta dos pés, na tentativa de enxergar a presença do dito através do pequeno vidro retangular que ali havia. Ao constatar que o elevador não estava no andar, mais do que imediatamente, ela obedece ao pedido do avô:
- Levadô-ooorrrr! – gritava a menininha, repetidamente, olhando para o vidrinho retangular da porta.
- Será que ele não ouviu? Levadô-ooorrrr! (continuava)
Antes que o avô pudesse explicar que bastava ela apertar o botão ao lado da porta pra chamar o dito-cujo, eis que o elevador chega ao andar... sozinho.
Teria ele obedecido aos incessantes chamados da pequenina?
...

[aguarde os próximos capítulos]


***


Cadê o terremoto do Doutor?
A pequena-menina, que sempre foi honesta e de boa índole, aprendeu cedo o significado de um antigo ditado: “a ocasião faz o ladrão”. Estava ela sentadinha em um dos sofás, bem comportada, assistindo ao desenho do pica-pau, quando tudo começou.
- Como o pica-pau é bonzinho! – concluiu a ingênua menininha, o avô caiu na gargalhada.


Assim que o desenho terminou, o avô pediu para mudar de canal. Seria mais uma tarde tranqüila se o controle-remoto não tivesse sumido misteriosamente. Até então, ninguém havia dado falta do objeto. O avó perguntou pra pequenina se ela sabia onde o controle poderia estar; mas, de fato, ela não sabia (realmente ela não sabia).
- Talvez ele esteja no triângulo das bermudas.


Respondeu ela, que recentemente tinha visto um filme em que as pessoas sumiam no tal triângulo das bermudas (embora não tivesse a menor idéia do que isso significava). O avô, por sua vez, iniciou uma busca exaustiva atrás do controle-remoto. Logo, todos da casa estavam envolvidos na procura e nada do dito aparecer. A avó e a empregada reviravam os tapetes, pra ver se não havia caído para baixo, verificavam as outras peças da casa... nada do raio do controle-remoto.

Enquanto a muvuca na casa continuava, a pequenina seguia assistindo ao seu canal de desenhos. Ela até tava achando toda aquela função mais interessante que o desenho da corrida-maluca.
- Não tem jeito de achar o terremoto do Doutor. - lamentava a empregada.


Passado alguns minutos, o mistério ainda parecia estar longe de ser solucionado. Inocentemente, a menininha resolveu trocar de lugar no sofá e acabou derrubando duas almofadas no chão. Ao derrubar as almofadas, ela se deparou com o foragido objeto - que por estar em um local tão óbvio, foi ignorado durante a busca que se seguia. Neste exato momento, ela aprendeu o significado da palavra “omissão”.

O desenho ao qual ela assistia tava muito chato. Ao passo que assistir a avó, o avô e a empregada (que seguidamente perguntava: cadê o terremoto do doutor?) andando de um lado para outro, revirando a casa inteira, atrás de um objeto que estava ali ao seu lado o tempo todo – não têm preço. Foi assim que a pequena-menina colocou as almofadas no mesmo lugar, ignorando totalmente a presença do cobiçado objeto. Ela trocou de sofá, inclusive, para que as suspeitas daquele sumiço casual não caíssem sobre ela.


Passados aproximadamente 30 minutos, a menininha achou que estava na hora de devolver o controle-remoto ao avô. Desde então, a cena se repetia toda a vez que a menininha visitava aos avós, até o dia que o avô descobriu o “triângulo das bermudas” onde o seu controle-remoto ficava de refém. Será que isso é influência do pica-pau?

***


Enquanto isso, no Supermercado...
Pai e filha fazem compras juntos. Ou melhor, o pai faz as compras, a filha passeia entre as prateleiras de brinquedos, observa as pessoas que passam, brinca de pilotar o carrinho de compras... Eis que - em um dado momento - quando estavam na extensa fila dos frios, ouve-se a vozinha daquela pequena desbravadora do mundo... aparentando estar desentendida e confusa a respeito de algo que o pai sequer suspeitava:
- Paiê... – disse ela, quase sussurrando.
- O que foi, filha? – respondeu ele, notando um certo constrangimento e embaraço por parte da menininha, que o mirava, estática.


Envergonhada, ela hesita por alguns segundos, respira fundo, e resolve contar ao pai o ocorrido. Quem sabe ele pudesse explicar aquele fenômeno desconhecido, o qual ela vivenciara alguns minutos atrás.
- Pode falar filha... – encoraja o pai frente à guriazinha paralisada.
Ela decide falar. Aproxima-se do ouvido do pai:
- A bunda assopô... – revela, com os olhos arregalados, esperando que seu pai lhe esclarecesse como aquilo era possível...


***


Não basta viajar no tempo, tem que voar!
A mãe da dupla de pequenas meninas-curiosas estava lendo um livro, quando foi interrompida por elas:
-
Manhê, quanto custa uma hélice de helicóptero?
-
Será que é muito caro?
- Deve ser! – segundos depois –
Mas pra quê vocês querem uma hélice de helicóptero?
-
É pra máquina do tempo que a gente tá construindo!
- Ahh! Mas isso deve ser muito caro, filhas. Vocês iam ter que comprar o helicóptero inteiro. (tentando fazer com que elas mudassem de idéia)
-
Não dá pra gente comprar só a hélice, sem o helicóptero junto?
-
Pode ser que fique mais barato...
-
Acho que não dá não... eles não iam vender separado. Porque vocês não fazem a máquina do tempo sem a hélice?
-
É que a gente queria que a nossa máquina do tempo voasse... igual àquele seriado...
- Se a máquina não voar, não tem graça... (olhando para o horizonte)
- Onde vocês estão construindo a máquina do tempo? (com medo de encontrar o restante da casa de pernas para o ar).
- Dentro do engradado do pai.
-
A gente ia colocar a hélice de helicóptero em cima do engradado, sabe?
-
Porque se a gente usar hélice de avião, a gente vai ter que ir até a pista do aeroporto toda vez que quiser viajar no tempo...
-
E deve ser mais caro...
-
E com a hélice do helicóptero a gente pode sair do terraço daqui de casa mesmo.
-
Hum... Porque vocês não fazem de conta que a máquina voa? Não é mais fácil?

... (pausa de silêncio) ...

Sem precisar trocar uma palavra, as duas pequenas-cientistas chegam a um consenso apenas com o olhar.
-
Acho que vai ser mais fácil a gente brincar de faz-de-conta...
- É... ia dar muito trabalho...


E foi assim que o audacioso projeto de viajar no tempo foi abandonado pelas aspirantes funcionárias da NASA, que preferiram brincar de Barbie. A mãe continuou a ler o livro, aliviada por ter evitado mais um rombo no orçamento da família.

4 comentários:

Larissa Bohnenberger disse...

Ahahahahah!
Não sei se são casos de loucura ou apenas de imaginação infantil!
Só sei que, independente de quem sejam as tais menininhas dos relatos baseados em fatos reais, que elas não devem ter se tornado adultas muito sãs, ah, isso não devem mesmo!
Ahahahahah!
Bjs, miga!

Larissa Bohnenberger disse...

Ah, só mais um comentáriozinho...
Essa cara de anjinho na foto até engana a primeira vista, né? Eheheh!
Quem não conhece...

Proud Mary disse...

Segundo os relatos das testemunhas anônimas (sempre elas) aos quais me baseei, tais acontecimentos foram verídicos.
Soube-se, inclusive, que o grau de insanidade das tais menininhas aumentou com o passar dos anos, embora elas levem uma vida dita normal na fase adulta (mesmo que a loucura sempre faça parte das suas rotinas diárias, de alguma forma).

Quanto a minha foto de criança, tenho de concordar que a carinha de anjo, a primeira vista, engana... até hoje, por sinal! eheheh

MAS, como dizia aquela música: "mas louco é quem me diz, que não é feliz..."

Tita Aragón disse...

Amei estes relatos!!! Simplesmente viajei no tempo, sem hélice de helicóptero! Que delícia de ler!
Beijos!