Meu mundo expresso de várias formas... (my routes, my rules)

sábado, agosto 14, 2010

Mundo Urbano - Desabafos

"Queria ter um teletransporte..."

O que faz um dia tranqüilo ser liquidado pela “hora do rush”?
Consequências do Mundo Moderno?


Embora a resposta pareça óbvia, não justifica conceitua-la simplesmente como um mero reflexo da Era atual. Cabe filosofar a respeito (always!).

Enfim, vamos aos dados empíricos: desprovidos de qualquer pretensa neutralidade. Estava eu, a caminho da universidade, saindo com uma hora de antecedência – para garantir que nenhum “imprevisto” durante o trajeto pudesse me atrasar.

Doce ilusão da pseudoconcreticidade!
Eis que o primeiro coletivo (infelizmente tenho de pegar dois) atrasa quase 20 minutos. Como se não bastasse isso, pode-se concluir facilmente o quão lotado estava o dito.

[ pausa dramática ]
Naquele momento julgava não ter escolha, pois já estava atrasada para uma instigante aula (cada minuto perdido seria profundamente lamentado). [/]

Respirei fundo antes de me deixar compactar dentro daquela lata-de-sardinha ambulante. É preciso coragem! Feliz de quem tem um mp3 (ou similar) nessa hora infeliz e pode se abstrair daquele “lugar” – ainda que entre atropelos e empurrões. O meu tava sem bateria! L

Não tive escolha diante de tamanho infortúnio, senão me “conformar” com aquela situação imposta (é o que resta, quando não há nada o quê fazer). Nem por isso, abandonei minha indignação. Pelo contrário, fui tomada por uma vontade latente de analisar criticamente o caos da “hora do rush”(1).

Então, como é de praxe, aproveitei-me da situação que se apresentava para fazer uma observação-participante (ou, ao menos, exercita-la). Quando os dados empíricos se multiplicam desordenadamente a sua frente, deve-se apreende-los de alguma forma. As oportunidades não anunciam a sua chegada!
(...)

Durante a narrativa, demonstrarei aos céticos que a lei de murph não é fictícia – ao contrário, esta parece ter se materializado no povoado mundo urbano.



A cidade transborda!
Mesmo quase sem ar, praticamente imóvel e “levemente” esmagada pela massa – os pensamentos filosóficos me acompanharam durante tal martírio – que por instantes julguei tratar-se de um carma coletivo. A lua, que de certa forma me consolava naquele instante, era minha única cúmplice. Sim! Já era início da noite, e a essa altura eu deveria estar dentro do segundo martírio, digo, coletivo.


Enfim! Não é de surpreender o quanto àquela lata-de-sardinha pressurizada estava cada vez mais lotada! Algo inconcebível na lei da física. A gota d’água foi quando o cobrador começou a repetir em alto e bom tom, quase que mecanicamente: “pessoal, lá atrás tem espaço... um passinho pra frente!”


Espaço? O que é isso?
“O cobrador enlouqueceu de vez” pensei. Ainda assim, em cada parada o motorista insistia em abrir a porta para
mais-não sei-quantos desafortunados como eu entrarem, como se não houvesse um limite de capacidade que não pudesse ser extrapolado! E as pessoas faziam questão de entrar, mesmo sem saber “como” fazer isso, numa aparente resignação de quem está prestes a cometer suicídio altruísta.(2)



Extensões ocupam espaço (mesmo quando este é praticamente inexistente).
Fora este inconveniente agravante, a maioria dos “sem-noção”, digo, pessoas, não se dão conta de que suas bolsas/ mochilas/ sacolas/ apetrechos em geral são uma extensão do seu corpo. Tipo, cada movimento que a criatura faz, consequentemente ocasiona igual movimento em suas extensões (partes). A equação é óbvia, mas, por alguma razão desconhecida, parece inexistir no inconsciente coletivo. Dependendo da “sutileza” do movimento do ego-cidadão, pode resultar inclusive em uma lesão corporal na pobre vítima por “extensão”.

Quem nunca levou uma “bolsada” dentro do ônibus? Mesmo quando este não está lotado... Tudo indica uma total falta de noção dos pseudocidadãos (algo tão infeliz quanto esta rima!).

[Certa vez levei uma bolsada (ou “tijolada”) na cabeça, além de me deixar com uma leve dor de cabeça, por pouco não perco meus óculos-escuros, que saíram voando para o banco da frente. O pedido de desculpas não desfez o galo.]

Neste dia em questão, a multidão estava tão compactada que não dava para distinguir os corpos de suas extensões. Aliás, mal dava para ver o rosto das pessoas...



Poluição Sonora
Outro fator que materializa a lei de murph na controversa realidade, e nos permite senti-la verter fluentemente em meio ao caos e à desordem, é o fato de que jamais se pode pensar que dada situação não poderá ficar pior do que aparenta estar. Ou seja, quando tudo parece ruim o bastante (aí vem bomba!), pode ser apenas mais um teste de paciência e tolerância (tão almejada) em meio à falta de educação alheia...


Sendo assim, a minha situação desumana naquele “apertume” – como mera “carga” amontoada – foi testada mais uma vez. Um fulano-de-tal, que parecia estar submerso na multidão do fundo, colocou em alto e bom tom uma poluição sonora degradante (a qual não incluo no meu conceito pessoal de música). Cada um com o seu gosto. Mas, please, não imponha o seu aos demais. Pode gerar um “desgosto” coletivo (existe fone de ouvido, sabia?). A reação imediata estava estampada no semblante da maioria: como se estivessem ouvindo a marcha fúnebre antes de morrer na câmara de gás.


É essa impressão que você quer deixar nas pessoas? (é claro que a maioria destes ego-indivíduos está pouco ligando para as pessoas ao seu redor)



Raciocínio Ilógico
Continuando o desabafo... O tempo parecia congelado, como em um pesadelo sem fim, quando o que parecia impossível aconteceu. Finalmente cheguei à PUC, para pegar o segundo coletivo (metade do trajeto concluída: infelizmente, a tortura ainda não chegaria ao fim). Muitas pessoas como eu, descem ali para pegar outro ônibus e seguir viagem.

Na hora “dos finalmentes”, outra prova da falta de lógica na postura dos indivíduos quando estão em bando. Fora o amontoado frente à porta de saída daquela lata-de-sardinha agonizante, sempre tem “uns seres” que pensam que o fato de empurrar os que estão a sua frente fará com que consigam sair daquele ambiente, sufocante e hostil, mais rápido! Só não se dão conta do óbvio: não adianta nada descontar sua frustração nos seus semelhantes (algo de que não desejariam ser vítima, além de resultar em uma reação de igual proporção), ainda mais quando a porta do coletivo ainda não abriu – o que só serve para maximizar o desconforto e insatisfação de estar ali.

[Como o caso clássico do elevador, de fácil comprovação: quando há uma fila enorme para pegar o dito, as criaturas – ansiosas em garantir seu “lugar” naquela lata de refrigerante flutuante – causam tumulto ao não deixarem as pessoas que estão dentro saírem primeiro. Incapazes de pensar: como poderão entrar? Dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço (te liga, lombriga!). O mesmo também pode ser verificável na estação do metrô, na hora do rush logicamente! Quem nunca presenciou tamanha falta de lógica?]


***


Senti um pouco de liberdade depois de ser “ejetada” daquela lata de opressão. Finalmente estava desvencilhada daquele emaranhado de gente. Contudo, tive de respirar fundo outra vez, para recarregar as forças antes de enfrentar o formigueiro humano daquele lugar. Afinal, ainda tinha de cruzar a passarela sob o arroio dilúvio, em meio a suicidas e serial killers.



[ Continua ...]





(1)[ abstrAÇÃO ] Por que não converter aquele momento traumático em algo produtivo? Ainda que o resultado disso também possa ser considerado apenas como uma mera forma de abstração. Toda tentativa de levar a mente pra fora daquela lata-de-sardinha prestes a explodir era válida e deveria ser testada. Talvez por influência da bela lua cheia, que mal conseguia fitar em meio à multidão sobreposta, me senti inebriada numa espécie de filosofia-reflexiva-existencial!
(2) Se não estivesse tão atrasada, talvez pudesse deduzir “naturalmente” que na hora do rush, ônibus lotado é luxo. A maioria dos coletivos transporta milhares de “sacos-de-batata”aglomerados. O mais sensato teria sido esperar possivelmente mais “meia hora” pelo próximo “compartimento de carga”, para ter ao menos onde sentar (e, infelizmente, perder uns 60 minutos daquela aula imperdível).

13 comentários:

Anônimo disse...

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Anônimo disse...

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Larissa Bohnenberger disse...

Aeeeeeeeee!!!! Finalmente!!! Pra matar a saudade e relembrar os velhos tempos (tãnãnãnãnã), vou comentar o teu post frase a frase (calma, não serão todas):

Estava eu, a caminho da universidade, saindo com uma hora de antecedência – para garantir que nenhum “imprevisto” durante o trajeto pudesse me atrasar. - Amiga, tu tens certeza de que vive em Porto Alegre? Porque é uma baita ingenuidade achar que, quando se tem que pegar dois ônibus, uma hora de antecedência é o suficiente...

Como se não bastasse isso, pode-se concluir facilmente o quão lotado estava o dito. - Eu aboli o ônibus da minha vida depois de quase ter sido assassinada algumas vezes. Pelos demais passageiros, obviamente. Agora eu só ando de lotação (ou às vezes de táxi, como tu viu aquele dia com teus próprios olhos. Mas é só quando eu tô muito casada, viu? Rs).

Durante a narrativa, demonstrarei aos céticos que a lei de murph não é fictícia - mas é óbvio que não! A lei de murph é o que há de real no mundo.

Quem nunca levou uma “bolsada” dentro do ônibus? Mesmo quando este não está lotado... - Esse foi o caso de uma das diversas tentativas de assassinato que eusofri e que já havia mencionado.

...jamais se pode pensar que dada situação não poderá ficar pior do que aparenta estar. - VERDADE ABSOLUTA! Quando tá ruim é que pode piorar, e na maioria das vezes, piora!

...colocou em alto e bom tom uma poluição sonora degradante... - Ahahahahahahahah. Só pode ser funk. Sempre é funk. Existe inclusive uma campanha chamada CAMPANHA: "DOE UM FONE DE OUVIDO PARA UM FUNKEIRO E FAÇA UM ÔNIBUS FELIZ"

Por enquanto é isso, coração! Manda a segunda parte da saga que tô louca pra saber se tu chegou viva na facul ou se este post está sendo psicografado! Rsrsrs!

Bjão!

Larissa Bohnenberger disse...

Alô testando...

Larissa Bohnenberger disse...

Por que é que o alô testando vai? Será que o meu comentário está comprido demais? Deixa eu tentar dividí-lo...

Larissa Bohnenberger disse...

Acho que agora foi tudo!
Rsrsrsrsrsr! Já tava achando que tu tinha inserido algum tipo de censura aqui nos teus comentários! Ahahahahahahah!

Proud Mary disse...

E aeh guria!!

Pois-é, não posso negar que existe uma 'certa' censura da minha parte (cuja variável determinante é o meu senso de humor momentâneo)...

No entanto, vc sabe o quanto sou pessimista em relação ao humor das "máquinas" (ou seria, "dos softwares" - que de soft não têm nada!). Então, devido a uma provável "pane" no servidor, recebi todos os comentários que vc postou repetidamente (talvez pq "a máquina" estava com a "pá virada", te mostrando algum erro).

Como diria o próprio gúguel: "que feio servidor, vc não pode fazer isso!"

Sinal de que o suposto erro não era devido ao tamanho do teu comentário. Sabe como são essas máquinas, sempre tão temperamentais!

Valeu pelo comentário frase a frase (me lembrei do tempo em que fazíamos isso com as máximas dos e-mails do Lu).

Adorei a campanha do "Faça um ônibus feliz"" :D

Ah! E continuo viva, apesar das constantes agressões a minha integridade física.

Beijos!

Ivox disse...

Vejo que gostas de tocar piano XD
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